Semana: 26 a 30.06 e 01.07.2011
Por Martins de Jesus, 85 anos, avô da Carol
O grande problema do mundo é que os terrestres não sabem viver. Não é só circular pelo mundo. O que é importante é a convivência com os irmãos.
A arte de viver é a principal questão que traz para o mundo as desgraças das guerras e das paixões. Se soubéssemos todos viver, o Amor estaria em primeiro lugar. E todos viveriam melhor sabendo aceitar as coisas como elas aparecem no dia a dia de cada um de nós.
Se pudéssemos pensar no pensador Paulo, nenhum de nós teríamos doenças físicas e mentais, porque todos nós cuidaríamos com muito amor, com muita responsabilidade, do nosso veículo do espírito (o corpo).
É preciso cuidar tanto do corpo quanto do espírito. Por exemplo, basta você acordar e dar um bom dia a um irmão e já é um caminho para você estar feliz neste dia.
Os terráqueos não conhecem a importância da riqueza que a natureza nos dá. A palavra riqueza não é só para criar, o maior problema da riqueza é fazê-la circular, distribuindo-a melhor . Se assim fosse, todos nós teríamos uma vida tranquila, sem tanto contraste entre ricos e pobres.
Assim, talvez, no teatro da vida terrena não houvesse espaço para dramas ou tragédias
Está página contém as crônicas publicadas na página principal do blog Ser Encontro.
domingo, 26 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Vendo o tempo passar! (1)
Crônica da Semana: 19 a 25.06.2011
De repente, uma foto captura a gente. Muitas vezes, a gente passa por isso: deixar-se capturar por uma foto. Foto é arte, capaz de tocar profundo na alma. A imagem parece que tem uma magia, por isso aquele momento, estanque, registrado, pode fazer brotar em nós tantas reflexões.
No último dia 11, naquele jornal de sábado, aquela foto (abra o link). Uma senhora, sentada de frente ao portão da casa, olhando para o tempo, e ao fundo, provavelmente uma estrada de asfalto e outras casinhas. Uma imagem como muitas por nós quase despercebidas: vilas, distritos, parecendo quase fantasmas, que quando se faz uma viagem passam pela janela do carro.
Ficar um tempo observando a foto-imagem é um exercício que se pode praticar e trazer mais revelações do que aquela que a gente sente de pronto. Porque sempre tem aquela sensação primeira. Aquela que você nem pensa e já chegou. Aquela que faz com que você goste ou não goste.
Mas, na maioria das vezes, é possível, numa segunda observação, verificar mais aspectos da foto; na realidade, encontrar novas visões sobre aquilo que ficou estampado, como por encanto na imagem fotografada. Daquilo que permeia o pensamento e a realidade que foi encantadoramente presa na imagem para sempre.
A simetria da mulher com o muro, com o portão, com as casinhas do outro lado da estrada. O relaxamento da senhora de meia idade, possivelmente, pela posição dos cotovelos, rezando. O vestido de linho, talvez, um dos melhores que tenha, daqueles para o dia de festa. O banho tomado, à tardinha, quando o sol já não tem tanta força e a rainha da noite se aproxima. Horário da reza, do terço alinhado nas mãos. Mesmo sem ver o rosto, se vê a dor, a tristeza, o luto.
Uma simples foto, mas com tanto significado, como bem expressa o texto sobre o filme “Mãe e Filha”, (abra o link) de Petrus Cariry. A senhora da foto, agora também daqueles que a vêem e a reconhecem, não tem pressa, parou para ouvir o silêncio, e em meio às ruínas se “alimenta” de lembranças e esperança.
Quantos de nós não ficamos também, assim como àquela senhora, vendo o tempo passar? Quantos de nós não passamos por alguma experiência de solidão, luto e perda? Quantos de nós não poderíamos ver retratados numa foto, num filme a nossa alma, desejos, sombras, pulsões de vida e morte, como no filme do Petrus?
É legal saber que ainda se faz cinema assim, cinema do encantamento, (abra o link) que arrebata prêmios, como foi o caso de Mãe e Filha, no 21º Cine Ceará.
É, de fato, um alento! Talvez desperte na gente, um olhar diferente, toda vez que passarmos por uma vila, distrito, quase fantasma, no meio do tempo.
Alci de Jesus
De repente, uma foto captura a gente. Muitas vezes, a gente passa por isso: deixar-se capturar por uma foto. Foto é arte, capaz de tocar profundo na alma. A imagem parece que tem uma magia, por isso aquele momento, estanque, registrado, pode fazer brotar em nós tantas reflexões.
No último dia 11, naquele jornal de sábado, aquela foto (abra o link). Uma senhora, sentada de frente ao portão da casa, olhando para o tempo, e ao fundo, provavelmente uma estrada de asfalto e outras casinhas. Uma imagem como muitas por nós quase despercebidas: vilas, distritos, parecendo quase fantasmas, que quando se faz uma viagem passam pela janela do carro.
Ficar um tempo observando a foto-imagem é um exercício que se pode praticar e trazer mais revelações do que aquela que a gente sente de pronto. Porque sempre tem aquela sensação primeira. Aquela que você nem pensa e já chegou. Aquela que faz com que você goste ou não goste.
Mas, na maioria das vezes, é possível, numa segunda observação, verificar mais aspectos da foto; na realidade, encontrar novas visões sobre aquilo que ficou estampado, como por encanto na imagem fotografada. Daquilo que permeia o pensamento e a realidade que foi encantadoramente presa na imagem para sempre.
A simetria da mulher com o muro, com o portão, com as casinhas do outro lado da estrada. O relaxamento da senhora de meia idade, possivelmente, pela posição dos cotovelos, rezando. O vestido de linho, talvez, um dos melhores que tenha, daqueles para o dia de festa. O banho tomado, à tardinha, quando o sol já não tem tanta força e a rainha da noite se aproxima. Horário da reza, do terço alinhado nas mãos. Mesmo sem ver o rosto, se vê a dor, a tristeza, o luto.
Uma simples foto, mas com tanto significado, como bem expressa o texto sobre o filme “Mãe e Filha”, (abra o link) de Petrus Cariry. A senhora da foto, agora também daqueles que a vêem e a reconhecem, não tem pressa, parou para ouvir o silêncio, e em meio às ruínas se “alimenta” de lembranças e esperança.
Quantos de nós não ficamos também, assim como àquela senhora, vendo o tempo passar? Quantos de nós não passamos por alguma experiência de solidão, luto e perda? Quantos de nós não poderíamos ver retratados numa foto, num filme a nossa alma, desejos, sombras, pulsões de vida e morte, como no filme do Petrus?
É legal saber que ainda se faz cinema assim, cinema do encantamento, (abra o link) que arrebata prêmios, como foi o caso de Mãe e Filha, no 21º Cine Ceará.
É, de fato, um alento! Talvez desperte na gente, um olhar diferente, toda vez que passarmos por uma vila, distrito, quase fantasma, no meio do tempo.
Alci de Jesus
domingo, 12 de junho de 2011
Mensagens subliminares ou presentes?
Dia dos Namorados: 12 de Junho de 2011
Geralmente, na semana do dia dos namorados, tem sempre alguém dizendo: “Isso é coisa do mercado, do consumismo, do capitalismo; dia dos namorados é todo dia”. E quem assim fala acredita que faz de todo dia um dia especial, mas não como o dia dos namorados tal qual é propagado hoje em dia. Quem assim diz se sente fazendo de todo dia um dia especial, porque em sua consciência pequenas ações diárias são mensagens subliminares de namoro, de amor.
Para alguns, normalmente, os que já têm algum caminho juntos, essas ações diárias envolvem acordar mais cedo e preparar o café da manhã, no dia que a secretária não vem. Deixar a parceira à vontade e sempre buscar, no final de semana, as filhas quando elas precisam, independentemente se isso vai atrapalhar o jogo ou o bate-papo com os amigos. Trazer o filme, que sabe vai deixar todo mundo contente, para a sessão de sexta-feira com pipocas. Sair para o almoço em família no domingo e perder a esperada largada da corrida de fórmula 1, quando seu piloto favorito sai na pole posicion. Fazer questão de carregar as pastas e bolsas da parceira até a porta do elevador e dar um beijinho de despedida, todo dia.
Para outros, que ainda mantém uma relação “menos séria”, as ações se traduzem em ligar quase sempre à mesma hora, ao cair da noite. Mandar uma mensagem por e-mail ou então um torpedo. Deixar uma mensagem no mural do facebook ou na comunidade do orkut. Marcar uma programação legal para o fim de semana e cumpri-la. Confeccionar cartõezinhos de votos de amor, por qualquer motivo, utilizando qualquer meio. Abrir, sempre, a porta do carro para que a parceira entre e tome assento.
Certamente, todas as companheiras percebem essas coisas. E sabem que esse carinho representa muito para a relação a dois, mas, mesmo sabendo dos apelos não tão puros do dia dos namorados, preferem se submeter ao costume ou à imposição da mídia ou à vala comum do “Maria vai com as outras”.
Daí não tem jeito. Tem que comprar um presente, sair para um jantar romântico ou reservar um almoço especial, num lugar especial. Tem que fazer alguma coisa diferente do que acontece todo dia. Já pensou não ter o que contar às amigas quando chegar segunda-feira ao trabalho?
E, pior, não adianta vir com aquela frase batida e que não deixa de ser verdadeira: “milha filha, eu sou o seu presente”. Não adianta dizer que não conseguiu tempo, não tem dinheiro, não sabia o que comprar. É uma exigência cristalizada na mente das mulheres (e dos homens também, por que não?), em todas as idades, em todas as classes sociais, e que se reproduz como se fosse uma erva poderosa.
Talvez a melhor forma de encarar a situação seja saber conviver com “as pressões sociais” dessas datas e se entregar ao apelo emocional, que queiramos ou não pode ser reavivado nessas ocasiões, e nos fazer muito bem.
A mensagem subliminar pode ser mais importante do que o presente, fruto do roteiro padrão do dia dos namorados. O presente pode ser importante, mas não pode significar que àquelas ações diárias não devem continuar.
Quiçá uma mensagem pelo celular com a frase “feliz dia dos namorados, beijos” possa, no dia seguinte, re-significada, se tornar “te amo, beijos”. E o melhor, vir com um gostoso, e molhado, beijo na boca.
Que esse dia dos namorados possa transformar as mensagens subliminares em poderosas ações explícitas de amor re-significado, na forma e no tempo que cada dois souberem conquistar. Certamente, será muito mais do que presentes.
Alci de Jesus
domingo, 5 de junho de 2011
Irmandade
Crônica da Semana: 05 a 11.06.2011
As tardes de sábado são uma ótima oportunidade para atualizar-se com as novidades dos jornais na internet. Depois de chegar do encontro semanal com os amigos, relaxar um pouco no sofá da sala, brincar com a cachorra, um belo banho, daqueles em que se lava a alma.
As tardes de sábado são uma ótima oportunidade para atualizar-se com as novidades dos jornais na internet. Depois de chegar do encontro semanal com os amigos, relaxar um pouco no sofá da sala, brincar com a cachorra, um belo banho, daqueles em que se lava a alma.
A água, no banho, cai do chuveiro, e ao molhar a cabeça retira todos os pensamentos e parece que deixa a mente aberta para absorver novas idéias e emoções. Não é à toa que quando a gente sai de um banho, pode até dizer: “pronto, estou pronto pra outra”.
Isto pode representar um pensamento ou um sentimento bem profundo, que signifique, por exemplo, estar pronto às emoções. Isto pode ser tão real na vida de cada um que se poderia dizer filosófico.
De fato, na busca dessas emoções, a gente quer ter a capacidade de, em casa, conversar com a esposa-companheira e com os filhos, e sentir aquele gostinho do amor perpassando os corpos, e uma alegria extasiante penetrar-nos.
A gente quer conviver com os pais e irmãos e ser sábio o bastante para expandir a felicidade dos momentos alegres e, ao mesmo tempo, ter a grandeza e a bondade para não deixar de se amparar, uns aos outros, num momento de pesar.
A gente quer se sentir conhecido e reconhecido, não superficialmente, mas pelo que representa no coração dos amigos, na expectativa de ver aquela energia fluindo entre os olhos que se cumprimentam, quando se despedem depois de algum encontro semanal.
A gente quer ampliar a relação com as pessoas em geral, tanto que se permite desnudar-se um pouco nas mídias sociais, e ser provocativo da boa conversa, aguardando que se transformem em momentos de vibrações energéticas massivas face to face.
A gente quer descobrir como externar o carinho latente, o verbo afetuoso largado no inconsciente, o afago fraterno represado.
E o mais interessante, a gente quer estar pronto a essas emoções, de uma forma natural, que não seja cunhada a fórceps pelo “cult” moderno de auto-ajuda, mas resultado de um simples resgatar daquilo que sempre deveríamos ser e, por diversos motivos, não somos, na medida em que gostaríamos.
Na verdade, a gente quer ser, na mais profunda compreensão do que é existir. E às vezes não sabemos muito bem como expressar isso ou nos sentimos um pouco como um peixe fora dágua, quando somos confrontados a falar sobre ser humano ou mesmo a exercitarmos a humanidade na prática diária, e, assim, corre-se o risco do isolamento ou do individualismo.
A questão é que a gente é ser humano; a gente é pessoa humana; em princípio, a gente é irmão de raça. Por isso, muitos não compreendem porque há exploração e submissão, ricos e pobres, luxo e miséria, consumismo e fome.
É por isso, que, às vezes, numa tarde de sábado, depois de um banho em que se lavou a alma, pode-se deixar tomar pela emoção da história dos irmãos gêmeos, de 92 anos, que morreram no mesmo dia. Irmãos que passaram a maior parte das suas existências, juntos. Cresceram juntos, estudaram juntos, viajaram juntos, se ordenaram e vivenciaram a ordem franciscana juntos, e ao fim, morreram com diferença de apenas 12 horas.
Talvez seja esse o exemplo de irmandade, não falso moralista, que se procure ao nos relacionarmos com nossos pais, irmãos, parentes, amigos, enfim, todos. Afinal de contas, vale à pena lutar para sentir-se tão bem quanto se sente ao levantar o rosto sob a água límpida que cai na face e nos lava a alma.
Alci de Jesus
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Tem gente que não gosta do centro das cidades.
Semana: 29.05 a 04.06.2011
Sem querer, de bobeira na internet, procurando por qualquer notícia, sem juízo de valor, a gente pode esbarrar, por exemplo, em questionamentos sobre o centro das cidades brasileiras e sobre os mecanismos que se tem utilizado para, muitas vezes, resgatá-lo, tanto como centro comercial quanto residencial ou quiçá histórico.
É normal que paremos pra pensar um pouco sobre o centro das nossas cidades, especialmente, se você mora em uma capital, que já é uma metrópole. Se não pensou de forma estruturada, com certeza já fez algum comentário, externou uma opinião.
Geralmente, o centro de uma cidade é onde tudo começou. Dali é que partiu a estruturação urbana, planejada ou não, da futura cidade. Normalmente, as cidades mais antigas não foram planejadas e tudo cresceu por aglomeração, em resposta às necessidades do desenvolvimento comercial e político da antiga vila, que vira cidade e capital, por exemplo. É por isso que, quase sempre, o centro da cidade é um espaço histórico.
Porém, uma capital, que já é uma metrópole, sempre tem problemas, ninguém pode negar. Mas é interessante notar as opiniões das pessoas e confrontar com a tal modernidade, que, às vezes, assombra.
Se você pergunta a uma pessoa que não gosta do centro de uma grande cidade, como Fortaleza, por exemplo, vários são os argumentos: é quente, imundo, o trânsito é caótico, tem poluição visual, entregadores de folhetos de todos os tipos, muitas pessoas circulando, gente feia e mal educada, faltam estacionamentos, os flanelinhas não são regulamentados, as calçadas estão tomadas de ambulantes, há insegurança e mendigos pedintes.
Já outras pessoas, que gostam do centro de Fortaleza e não deixam de ir pelo menos uma vez por semana, defendem o centro porque tem mais espaço para andar, você pode ir à vontade, as pessoas não ficam te observando se você não for arrumado, há uma sensação de mais liberdade, existem mais opções de lojas, é geralmente mais barato ou então os preços são mais variados, não se paga pelo luxo das lojas de um shopping ou pela segurança e câmeras de vigilância, ainda se vê os mais idosos conversando nas praças. Além de que tem os escritórios de mães e pais de santo, de dentistas populares e as ciganas, leitoras de mão. Afora que no centro se pode fazer o conserto de tudo, e comprar de tudo também.
Na realidade, no centro, geralmente, as coisas estão umas mais perto das outras, e você consegue percorrer tudo a pé. Você pode sair de uma loja de departamentos e comer um pastel com caldo de cana. Você tem acesso aos bancos, cartórios, livrarias e também pode comprar um livro antigo num sebo ou negociar na feira de troca-troca de livros. Essa diversidade parece ter uma grande atratividade, em especial, se você tem menos poder aquisitivo ou, então, quer exercitar a pechincha.
Alguém poderá dizer que, de certa forma, mantendo o princípio, um shopping é muito mais interessante e que já existem shoppings que têm as mesmas características do centro das cidades, só que sem os problemas clássicos dessas aglomerações.
Com certeza os que pensam assim querem se enganar. O centro é insubstituível. As pessoas gostam do centro, exatamente pela miscigenação de pessoas, atividades, sabores e cores, coisa que se pode tentar imitar em um shopping, mas sempre vai ser diferente da energia que se encontra no centro.
No caso de Fortaleza, onde que num shopping você vai encontrar um vendedor de quebra-queixo, com a sua caixinha e sua espátula tradicional, com o produto enrolado no papel manteiga e sob a fuligem dos carros que passam ao largo, pertinho da Igreja do Carmo? Ou então poderá comer um espetinho, ao cair da tarde, com uma cerveja gelada olhando para o Passeio Público? Ou encontrar com os amigos e saborear um frango ao passarinho à beira da Praça do Ferreira? Isso é cultura e é cultural.
É por isso que os defensores dos shoppings, nas rodas de cultura, são também aqueles que defendem a revitalização do centro. Porque ninguém agüenta viver sem a memória da origem de sua cidade. É como não ter também a memória de sua própria origem. E comprar e valorizar, em viagens culturais, a memória de outras cidades.
Viva aos pais que levam os seus filhos, mesmo que de carro, e lhes apresentam o centro da cidade, seus lugares históricos, suas praças, sua vida.
Quem dera pudéssemos ter a capacidade de num passe de mágica resolver os problemas dos centros de nossas cidades, sem que eles perdessem a sua identidade, mantendo a mesma energia que cativa tanta gente, que toda semana vai ao centro, mesmo que não vá às compras, simplesmente vá ao novíssimo Centro Cultural ou ao Teatro, centenário.
Alci de Jesus
Sem querer, de bobeira na internet, procurando por qualquer notícia, sem juízo de valor, a gente pode esbarrar, por exemplo, em questionamentos sobre o centro das cidades brasileiras e sobre os mecanismos que se tem utilizado para, muitas vezes, resgatá-lo, tanto como centro comercial quanto residencial ou quiçá histórico.
É normal que paremos pra pensar um pouco sobre o centro das nossas cidades, especialmente, se você mora em uma capital, que já é uma metrópole. Se não pensou de forma estruturada, com certeza já fez algum comentário, externou uma opinião.
Geralmente, o centro de uma cidade é onde tudo começou. Dali é que partiu a estruturação urbana, planejada ou não, da futura cidade. Normalmente, as cidades mais antigas não foram planejadas e tudo cresceu por aglomeração, em resposta às necessidades do desenvolvimento comercial e político da antiga vila, que vira cidade e capital, por exemplo. É por isso que, quase sempre, o centro da cidade é um espaço histórico.
Porém, uma capital, que já é uma metrópole, sempre tem problemas, ninguém pode negar. Mas é interessante notar as opiniões das pessoas e confrontar com a tal modernidade, que, às vezes, assombra.
Se você pergunta a uma pessoa que não gosta do centro de uma grande cidade, como Fortaleza, por exemplo, vários são os argumentos: é quente, imundo, o trânsito é caótico, tem poluição visual, entregadores de folhetos de todos os tipos, muitas pessoas circulando, gente feia e mal educada, faltam estacionamentos, os flanelinhas não são regulamentados, as calçadas estão tomadas de ambulantes, há insegurança e mendigos pedintes.
Já outras pessoas, que gostam do centro de Fortaleza e não deixam de ir pelo menos uma vez por semana, defendem o centro porque tem mais espaço para andar, você pode ir à vontade, as pessoas não ficam te observando se você não for arrumado, há uma sensação de mais liberdade, existem mais opções de lojas, é geralmente mais barato ou então os preços são mais variados, não se paga pelo luxo das lojas de um shopping ou pela segurança e câmeras de vigilância, ainda se vê os mais idosos conversando nas praças. Além de que tem os escritórios de mães e pais de santo, de dentistas populares e as ciganas, leitoras de mão. Afora que no centro se pode fazer o conserto de tudo, e comprar de tudo também.
Na realidade, no centro, geralmente, as coisas estão umas mais perto das outras, e você consegue percorrer tudo a pé. Você pode sair de uma loja de departamentos e comer um pastel com caldo de cana. Você tem acesso aos bancos, cartórios, livrarias e também pode comprar um livro antigo num sebo ou negociar na feira de troca-troca de livros. Essa diversidade parece ter uma grande atratividade, em especial, se você tem menos poder aquisitivo ou, então, quer exercitar a pechincha.
Alguém poderá dizer que, de certa forma, mantendo o princípio, um shopping é muito mais interessante e que já existem shoppings que têm as mesmas características do centro das cidades, só que sem os problemas clássicos dessas aglomerações.
Com certeza os que pensam assim querem se enganar. O centro é insubstituível. As pessoas gostam do centro, exatamente pela miscigenação de pessoas, atividades, sabores e cores, coisa que se pode tentar imitar em um shopping, mas sempre vai ser diferente da energia que se encontra no centro.
No caso de Fortaleza, onde que num shopping você vai encontrar um vendedor de quebra-queixo, com a sua caixinha e sua espátula tradicional, com o produto enrolado no papel manteiga e sob a fuligem dos carros que passam ao largo, pertinho da Igreja do Carmo? Ou então poderá comer um espetinho, ao cair da tarde, com uma cerveja gelada olhando para o Passeio Público? Ou encontrar com os amigos e saborear um frango ao passarinho à beira da Praça do Ferreira? Isso é cultura e é cultural.
É por isso que os defensores dos shoppings, nas rodas de cultura, são também aqueles que defendem a revitalização do centro. Porque ninguém agüenta viver sem a memória da origem de sua cidade. É como não ter também a memória de sua própria origem. E comprar e valorizar, em viagens culturais, a memória de outras cidades.
Viva aos pais que levam os seus filhos, mesmo que de carro, e lhes apresentam o centro da cidade, seus lugares históricos, suas praças, sua vida.
Quem dera pudéssemos ter a capacidade de num passe de mágica resolver os problemas dos centros de nossas cidades, sem que eles perdessem a sua identidade, mantendo a mesma energia que cativa tanta gente, que toda semana vai ao centro, mesmo que não vá às compras, simplesmente vá ao novíssimo Centro Cultural ou ao Teatro, centenário.
Alci de Jesus
domingo, 22 de maio de 2011
Você sabe a força que tem a música?
Semana: 22 a 28.05.2011
Qualquer um de nós já se deixou levar por uma música. Lembra? Pode ter sido lá no passado. Talvez, por conta de um amor perdido. Ou, então, pelo festejo alegre, jovial, dos amigos, virando a noite nos papelões, num dos quintais disponíveis, com a fogueira acesa e a estrelas sob o olhar.
Cada um tem o seu momento e a sua música preferida. Com certeza todos nós tivemos algum momento na vida em que refletimos sobre isso. Certa vez, em Jericoacoara, já nós anos 2.000, havia faltado luz na pousada. Na beirinha da noite, junto à mulher, irmãos, cunhada, filhas e sobrinhos, a oportunidade de conversar sobre coisas fugidias. Sobre aquela música que se alguém perguntar vem a sua cabeça de imediato.
A lembrança e o cantar “Alguém cantando”, imitando Caetano, formavam um quadro interessante. Mas, se fosse piegas qual o problema? Por que é que a gente tem que se sentir constrangido com isso?
E o que é pior, é verdade. A maioria de nós se sente constrangido em comentar que gosta daquela música e que o seu conteúdo nos marcou ou marca muito. Se sente inibido em cantá-la, ou mesmo balbuciá-la, baixinho, perto de outras pessoas.
Porém, no carro, no banheiro, sentado esparramado na poltrona da sala, num sábado à tarde, não se contenta se o som não estiver no volume mais alto, o pensamento longe, e a voz na imensidão. Naquele momento, só se satisfaz quando a música enche o coração até derramar lágrimas, quiçá. E ali, não tem constrangimento, não tem inibição, não tem mais nada, é felicidade pura.
É por saber que isso acontece com as pessoas que não é difícil generalizar e dizer que todos nós sabemos a força que tem a música. Ela pode nos deixar alegres e tristes; transportar-nos distâncias; tornar-nos crianças, vivas e saltitantes. Trazer-nos serenidade plena.
E não precisa ser aquela música preferida, para sentirmo-nos desse jeito. Sem que a gente queira, uma música entra na nossa cabeça; e, às vezes, podemos até, inicialmente, não gostar, mas daí você ouve uma vez, duas vezes, três vezes e pronto, gostou e já faz parte do espaço reservado às emoções, no cérebro e, conseqüentemente, no coração.
Outras vezes, você ouve somente uma vez e já gostou. Pode até ser influenciado por um amigo ou uma resenha, mas, ao final, o que vale é a sua emoção, a qualidade do estado de coisas em que a música ouvida lhe deixou.
E hoje, com a internet, e as mídias sociais, tudo é muito rápido. Já pensou uma música, como a "Oração", em uma semana ter mais de um milhão de audições? É claro, que o entorno da música também conta para o “gostar” de cada um, mas isso só aumenta a força da música, porque nos remete ao potencial coletivo que a música pode ter.
Mas a força coletiva que pode ter uma música é outra coisa, é para outra crônica. Até porque, primeiro, para se tornar coletivo é preciso envolver o individual e esse indivíduo precisa querer externar a sua emoção, quebrando alguns preconceitos.
Bom seria se a gente fosse envolvida por algum projeto em que, num passe de mágica, se pudesse ficar livre de todo o constrangimento e inibição e sem receios pudesse cantar músicas a plenos pulmões. Desafinado, com a voz gasguita, de qualquer jeito, por que não? Talvez, todo mundo, numa grande sala, com fones de ouvido, curtindo e cantando a sua música preferida. Poderia ser um começo.
Talvez, pudesse começar também, com cada um de nós enviando a uma amiga ou um amigo uma mensagem, dizendo “adorei essa música”, com o link da música no “you tube” ou a letra transcrita ou o endereço do site em que se pode baixá-la.
É sempre uma emoção receber algo assim. Uma vez, uma amiga mandou ouvir a música “Wish you were here”, do Pink Floyd. Hoje, a música que toca à noite no subconsciente, ao dormir, é “Tears in Heaven”, de Eric Clapton.
Cada um vive a sua emoção e em um dia são muitas emoções. Ainda vem na lembrança a mensagem da filha querida, contando sobre aquela noite em Jericoacoara: “Pai, aquele momento foi muito legal!”. De certa forma, tudo na vida é música. Cada um tem que construir sua capacidade de fazer parte dessa grande composição, que a todo o momento está se (re) construindo.
Alci de Jesus
Qualquer um de nós já se deixou levar por uma música. Lembra? Pode ter sido lá no passado. Talvez, por conta de um amor perdido. Ou, então, pelo festejo alegre, jovial, dos amigos, virando a noite nos papelões, num dos quintais disponíveis, com a fogueira acesa e a estrelas sob o olhar.
Cada um tem o seu momento e a sua música preferida. Com certeza todos nós tivemos algum momento na vida em que refletimos sobre isso. Certa vez, em Jericoacoara, já nós anos 2.000, havia faltado luz na pousada. Na beirinha da noite, junto à mulher, irmãos, cunhada, filhas e sobrinhos, a oportunidade de conversar sobre coisas fugidias. Sobre aquela música que se alguém perguntar vem a sua cabeça de imediato.
A lembrança e o cantar “Alguém cantando”, imitando Caetano, formavam um quadro interessante. Mas, se fosse piegas qual o problema? Por que é que a gente tem que se sentir constrangido com isso?
E o que é pior, é verdade. A maioria de nós se sente constrangido em comentar que gosta daquela música e que o seu conteúdo nos marcou ou marca muito. Se sente inibido em cantá-la, ou mesmo balbuciá-la, baixinho, perto de outras pessoas.
Porém, no carro, no banheiro, sentado esparramado na poltrona da sala, num sábado à tarde, não se contenta se o som não estiver no volume mais alto, o pensamento longe, e a voz na imensidão. Naquele momento, só se satisfaz quando a música enche o coração até derramar lágrimas, quiçá. E ali, não tem constrangimento, não tem inibição, não tem mais nada, é felicidade pura.
É por saber que isso acontece com as pessoas que não é difícil generalizar e dizer que todos nós sabemos a força que tem a música. Ela pode nos deixar alegres e tristes; transportar-nos distâncias; tornar-nos crianças, vivas e saltitantes. Trazer-nos serenidade plena.
E não precisa ser aquela música preferida, para sentirmo-nos desse jeito. Sem que a gente queira, uma música entra na nossa cabeça; e, às vezes, podemos até, inicialmente, não gostar, mas daí você ouve uma vez, duas vezes, três vezes e pronto, gostou e já faz parte do espaço reservado às emoções, no cérebro e, conseqüentemente, no coração.
Outras vezes, você ouve somente uma vez e já gostou. Pode até ser influenciado por um amigo ou uma resenha, mas, ao final, o que vale é a sua emoção, a qualidade do estado de coisas em que a música ouvida lhe deixou.
E hoje, com a internet, e as mídias sociais, tudo é muito rápido. Já pensou uma música, como a "Oração", em uma semana ter mais de um milhão de audições? É claro, que o entorno da música também conta para o “gostar” de cada um, mas isso só aumenta a força da música, porque nos remete ao potencial coletivo que a música pode ter.
Mas a força coletiva que pode ter uma música é outra coisa, é para outra crônica. Até porque, primeiro, para se tornar coletivo é preciso envolver o individual e esse indivíduo precisa querer externar a sua emoção, quebrando alguns preconceitos.
Bom seria se a gente fosse envolvida por algum projeto em que, num passe de mágica, se pudesse ficar livre de todo o constrangimento e inibição e sem receios pudesse cantar músicas a plenos pulmões. Desafinado, com a voz gasguita, de qualquer jeito, por que não? Talvez, todo mundo, numa grande sala, com fones de ouvido, curtindo e cantando a sua música preferida. Poderia ser um começo.
Talvez, pudesse começar também, com cada um de nós enviando a uma amiga ou um amigo uma mensagem, dizendo “adorei essa música”, com o link da música no “you tube” ou a letra transcrita ou o endereço do site em que se pode baixá-la.
É sempre uma emoção receber algo assim. Uma vez, uma amiga mandou ouvir a música “Wish you were here”, do Pink Floyd. Hoje, a música que toca à noite no subconsciente, ao dormir, é “Tears in Heaven”, de Eric Clapton.
Cada um vive a sua emoção e em um dia são muitas emoções. Ainda vem na lembrança a mensagem da filha querida, contando sobre aquela noite em Jericoacoara: “Pai, aquele momento foi muito legal!”. De certa forma, tudo na vida é música. Cada um tem que construir sua capacidade de fazer parte dessa grande composição, que a todo o momento está se (re) construindo.
Alci de Jesus
domingo, 15 de maio de 2011
O que faz a gente torcer é o mesmo que faz a gente se indignar?
Semana: 15 a 21.05.2011
Com certeza qualquer um de nós já sentiu aquela emoção que não deixa de nos envolver quando estamos torcendo. Pode ser no futebol, no vôlei, no basquete, no ping-pong, na bolinha de gude, ou mesmo em tantas situações não esportivas. Não há quem em toda a sua vida não se envolveu ou não vá se envolver num episódio de “torcer” e possa, sem perceber, até dizer um ou vários palavrões, sem querer, querendo.
A sensação é variada e depende pelo que você está torcendo ou o grau de relacionamento com o possível resultado. Às vezes, não tem nenhum relacionamento com o resultado, mas tem vínculos paralelos com alguém ou uma causa. E isto já é fator de grande mobilização e emoção.
Outras vezes, em especial, quando se trata de questões esportivas, o simples “gozar” o colega de trabalho já basta. A alegria e o despojamento são contagiantes. Até mesmo quem não é torcedor do time vencedor se sente envolvido.
E torcer não tem idade. A formação se dá desde criancinha. Em casa, no colégio, na rua, em tudo há formação para torcer. Não é incomum ver-se uma criança “carregada” com as cores do “time do coração” chorando pela perda do título; ou, então, um velhinho com mais de 80 anos, sorrindo, banguela, a conquista do campeonato.
Não é incomum ver-se, em qualquer canto do mundo, no futebol, no rúgbi, em qualquer esporte, manifestações imensas de pessoas alegres, torcedores ou apenas acompanhantes, vibrando, em festas exuberantes. Uma convergência de energias que nos parece poder mover montanhas.
Torcer parece estar ligado à emoção, e como emoção, às vezes, não se controla, porque não racional. Alguns intelectuais criticam, outros criticam quem critica; hoje, torcer, de forma geral, é “Cult”, isto é, é politicamente correto.
Não se pode deixar de dizer que, talvez, a busca dessa emoção seja da essência do ser humano, ou quiçá resquício dos processos históricos, como da política do pão e circo, da Roma antiga, onde quase todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios, com distribuição de alimentos.
Deve-se dizer também que, apesar de humanos, por vezes torcedores fanáticos, vivemos episódios de insurgência, históricos, de massa, em todos os cantos do planeta, em todas as épocas. No Brasil recente, nas “Diretas Já”, no “Fora Color”, reforçando o que diria Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante do que o pão”.
É interessante observar como a mesma emoção que nos leva a torcer e que numa rapidez impressionante nos une e nos faz ser multidões, não é aquela emoção, que nós também temos quando nos indignamos com as injustiças e com o que achamos que não é certo na humanidade. Talvez, a tal modernidade nos leve a utilizar mais corriqueiramente, e efetivamente, as redes sociais para a auto-mobilização coletiva, como já ocorreu recentemente.
Porém, ninguém pode achar que é fácil encher um estádio com 50 mil pessoas para ouvir a música de Mikis Theodorakis: “Uma música mais forte do que os tanques de guerra”. Um Ceará e Flamengo talvez consiga com muito mais tranquilidade.
Alci de Jesus
Com certeza qualquer um de nós já sentiu aquela emoção que não deixa de nos envolver quando estamos torcendo. Pode ser no futebol, no vôlei, no basquete, no ping-pong, na bolinha de gude, ou mesmo em tantas situações não esportivas. Não há quem em toda a sua vida não se envolveu ou não vá se envolver num episódio de “torcer” e possa, sem perceber, até dizer um ou vários palavrões, sem querer, querendo.
A sensação é variada e depende pelo que você está torcendo ou o grau de relacionamento com o possível resultado. Às vezes, não tem nenhum relacionamento com o resultado, mas tem vínculos paralelos com alguém ou uma causa. E isto já é fator de grande mobilização e emoção.
Outras vezes, em especial, quando se trata de questões esportivas, o simples “gozar” o colega de trabalho já basta. A alegria e o despojamento são contagiantes. Até mesmo quem não é torcedor do time vencedor se sente envolvido.
E torcer não tem idade. A formação se dá desde criancinha. Em casa, no colégio, na rua, em tudo há formação para torcer. Não é incomum ver-se uma criança “carregada” com as cores do “time do coração” chorando pela perda do título; ou, então, um velhinho com mais de 80 anos, sorrindo, banguela, a conquista do campeonato.
Não é incomum ver-se, em qualquer canto do mundo, no futebol, no rúgbi, em qualquer esporte, manifestações imensas de pessoas alegres, torcedores ou apenas acompanhantes, vibrando, em festas exuberantes. Uma convergência de energias que nos parece poder mover montanhas.
Torcer parece estar ligado à emoção, e como emoção, às vezes, não se controla, porque não racional. Alguns intelectuais criticam, outros criticam quem critica; hoje, torcer, de forma geral, é “Cult”, isto é, é politicamente correto.
Não se pode deixar de dizer que, talvez, a busca dessa emoção seja da essência do ser humano, ou quiçá resquício dos processos históricos, como da política do pão e circo, da Roma antiga, onde quase todos os dias havia lutas de gladiadores nos estádios, com distribuição de alimentos.
Deve-se dizer também que, apesar de humanos, por vezes torcedores fanáticos, vivemos episódios de insurgência, históricos, de massa, em todos os cantos do planeta, em todas as épocas. No Brasil recente, nas “Diretas Já”, no “Fora Color”, reforçando o que diria Nelson Rodrigues: “A liberdade é mais importante do que o pão”.
É interessante observar como a mesma emoção que nos leva a torcer e que numa rapidez impressionante nos une e nos faz ser multidões, não é aquela emoção, que nós também temos quando nos indignamos com as injustiças e com o que achamos que não é certo na humanidade. Talvez, a tal modernidade nos leve a utilizar mais corriqueiramente, e efetivamente, as redes sociais para a auto-mobilização coletiva, como já ocorreu recentemente.
Porém, ninguém pode achar que é fácil encher um estádio com 50 mil pessoas para ouvir a música de Mikis Theodorakis: “Uma música mais forte do que os tanques de guerra”. Um Ceará e Flamengo talvez consiga com muito mais tranquilidade.
Alci de Jesus
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